Hoje venho agradecer a Menção Honrosa ABRAÇAR E AGRADECER da Secretaria de Educação de Natal, através do CMEI Professor ARNALDO ARSÊNIO e em nome de todos os CMEI trabalhado nessa parceria cultural com nossa instituição BRINQUEDOTECA ITINERANTE E POPULAR.
O projeto “Brinquedoteca Itinerante e Popular – BIP” desenvolvido desde 2004, como formas de garantir espaços lúdicos para que as crianças entrem em contato com a cultura popular do RN, preservando e difundindo formas de brincar que foram objetos de estudo de Câmara Cascudo, Veríssimo de Melo, e Manoel Rodrigues de Melo dentre outros. Brincar se configura como uma atividade natural para as crianças de todos os povos, independente de idade, sexo, religião, raça, classe sócio-econômica e cultura.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Resenha Poética com Cláudio Wagner: O ESPELHO DE ELOISA
O
Espelho de Eloísa
Eu não
tenho mais a cara que eu tinha, no espelho essa cara já não é
minha.
Nando
Reis
Se alguém me perguntasse que lugar eu
escolheria para ficar preso, responderia, sem dúvidas, que seria na
cabeça de um escritor ou escritora. Pensem no quanto de histórias e
magia há na cabeça desses seres. Viver num lugar desses, tão
privilegiado, vivenciando o processo de criação e concebimento,
antes da obra ser presenteada ao mundo, seria incrível!
A autora de quem irei falar uma pitadinha da
sua mais nova criação, o livro "O Espelho de Eloísa",
lançado pela CJA- Edições, 2018, é a Professora Doutora Araceli
Sobreira. Tive o privilégio de conhecê-la quando ingressei no curso
de Ciências da Religião (UERN), há mais de 10 anos. Quando peguei
esse livro em minhas mãos, não tive dúvidas de que a experiência
seria gratificante e, ao fim da leitura, algo de novo seria
acrescentado em meu viver. E assim aconteceu. A cada um dos contos
que acabava de ler, elevava-me com a força, a leveza, a delicadeza e
principalmente o humano de cada umas das mulheres, que são as
personagens centrais de todo o enredo.
Mas, como é sabido por todos que leem essa
coluna, não darei spoiler do livro, apenas contarei pequenos
detalhes para aguçar seus instintos de devoradores de belas
histórias proporcionadas por bons livros. Nesse caso, o Espelho de
Eloísa é uma ótima opção.
Araceli
Sobreira, domina os meandros da nossa língua portuguesa e tem uma
sensibilidade refinada, oferecendo-nos um brilhante trabalho,
transportando-nos ao mundo das suas personagens, fazendo com que
possamos saborear tanto os prazeres, como os desprezares das mesmas.
Bem,
deixa eu colocar esse pão (livro) na bandeja das minhas escolhas, e
servir as fatias da forma que a própria autora escolheu. Fatia 1:
Histórias de Mulheres Sábias, que são os contos encontrados da
página 13 até a 45. Os títulos são: O espelho de Eloísa; O
despertar de Zélia; A cura; A história de Elza; O conto das quatro
luas e Dora. Fatia 2: Olhares e Paisagens, que irá da página 51
até a 89. Os títulos são: Na antessala da vida; Um anjo no
viaduto; Uma noite entre pedras; Amores de rua; Era quase uma lenda;
O Parto e, finalizando, A menina e a Serra do Feiticeiro. Fiquei
amarradão no enredo da história desse último conto. Quer saber por
que? É só ler o livro.
Prontamente
fatiado o livro (pão para nossas almas), você agora já sabe o
título de cada conto, mas as histórias contidas neles, essas
deixarei em segredo. Mas, como não sou tão ruim assim, mostrarei um
pouco do conto, que dá nome a obra, comentando minhas impressões.
Vamos lá então:
Tão
pequena, mas tão forte. Esquecida entre as matas, conseguia juntar
forças. Ela sábia que até os deuses a temiam, tinha os olhos
miúdos, rasgados no rosto moreno. (p,15).
Você
pode até pensar que eu só posso é está de brincadeira, pois
esperava um trecho maior, algo que revelasse logo por completo o
conto, daí eu coloco só um pedacinho.
Calma! Lembre-se que um espelho é aquele utensílio que reflete um
pouco da gente, que nos mostra algo de nós, mas que nem sempre nos
identificamos com isso. Esse trecho que usei é um espelho, mas é a
narradora do conto refletindo quem é Eloísa, quais os traços da
personalidade dessa mulher, pois se é pequena em estatura, é
grandiosa em força, em alma e personalidade. Se até os deuses tem
medo dela, imagina nós, pobres mortais.
Mas, você deve estar se questionando: Para
que irei ler algo sobre alguém que me causará medo? Aí é que
está, não terás! Irás é se identificar, refletir-se e, ter
também, estranhamento desse reflexo. Verás que uma mulher se
constrói e reconstrói todos os dias na busca incessantes do que
todos os seres vivos fazem para serem feliz, para deixarem suas
marcas no mundo.
Como diz um trecho da música escrita por
Nando Reis: "Eu não tenho mais a cara que eu tinha, no espelho
essa cara já não é minha". E é assim que Araceli Sobreira
mostra-nos, de forma simples, esse nosso não reconhecimento de quem
somos quando estamos em frente ao espelho, a cara nunca é nossa, mas
se olharmos o espelho e nos procurarmos no tempo, quem sabe assim,
nos reconheceremos.
De acordo com meu amigo Manuel Azevedo, se o
simples fosse fácil, alguém já teria feito outro.
Parabéns a autora!
E vamos à leitura!
Claudio Wagner
Poeta,
professor historiador, Cientista das Religiões, 1º Secretário da
SPVA/RN e autor do livro Entre
a Sombra da Razão e a Razão da Sombra.
REFERÊNCIAS
REIS, Nando, Não
Vou Me Adaptar, Disponivle em:
https://www.vagalume.com.br/nando-reis/nao-vou-me-adaptar.html
SOBREIRA, Araceli, O
Espelho de Eloísa: e outras histórias de mulheres sábias.
Natal-RN, CJA 2018.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Resenha Poética com Cláudio Wagner: Convida você para o lançamento do livro de Roberto Noir
Poeta
Roberto Noir lança primeiro livro neste sábado em Natal
O
professor, escritor e poeta Roberto Noir lançará neste sábado, dia
20, seu primeiro livro, "Post Mortem", pelo selo editorial
da SPVA-RN (Sociedade dos Poetas Vivos e Afins-RN), em parceria com a
OW Edições. O lançamento será às 18h na Galeria Salgado Filho,
na avenida Salgado Filho, 1773, Lagoa Nova, em frente ao Portugal
Center.
A
obra, escrita em versos por Roberto Noir e ilustrada por Jack Jacson,
relata uma história que traz elementos como traição e
ressentimento, retratados de forma ultrarromântica, com uma certa
influência de Shakespeare e das tragédias gregas. As ilustrações
complementam a poética da história dando um ar de HQ (História em
Quadrinhos) ao livro.
Há
também influências de diversos artistas, entre eles os poetas
brasileiros Augusto dos Anjos e Álvares de Azevedo, Lacrimosa (banda
alemã de metal gótico) Lacroix Desphères, Moi Dix Mois e Sito
Magus (bandas japonesas de metal).
"Apesar
da história ser relativamente curta, sua densidade faz com que
passemos tempo a refletir durante e após a leitura sobre certas
situações em que vivenciamos e/ou vimos outras pessoas passarem.
Podemos até mesmo ser vítimas do egoísmo alheio, assim como
podemos ser os algozes", analisa o escritor.
SERVIÇO
Lançamento
de Post Mortem
Quando:
Sábado dia 20
Horário:
18h
Onde:
Galeria Salgado Filho, na avenida Salgado Filho, 1773, Lagoa Nova, em
frente ao Portugal Center.
domingo, 14 de outubro de 2018
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Resenhe Poética com Cláudio Wagner: Dê Lírios - Nildinha Freitas
DÊ LÍRIO
Quem me ensinou a juntar as letras e depois
soletrá-las, no que chamamos de saber ler, foi certamente a
professora Anilda, na Escola Estadual Isabel Gondim. Mas, quem de
fato me ensinou a ler foi meu amigo, professor e advogado João Maria
Oliveira (João Oliveira). Ele não é do tipo que dá conselhos
sobre qual livro deveríamos ler, mas sim, chega e nos empresta tal
livro. Daí, você só tem duas opções: ler ou ler. Acredite, ler
um livro que passou pelas mãos de João Oliveira é uma experiência
única, pois o livro vem todo fichado, com apontamentos e suas
impressões a respeito da leitura. Isso torna a leitura encantadora,
já que parece que estamos lendo um livro dentro de um livro. Assim
sendo, aprendi a ser desses que pega um livro, lê de orelha a orelha
e ainda dá uma boa olhada na ficha técnica e catalográfica da
obra.
E o que tem haver ter aprendido a ler, com
essa resenha? Tudo! Pois, foi preciso rabiscar toda a obra “Dê
Lírio”, ler como o João Oliveira leria, deixando apontamentos a
cada nova virada de folha. Foi preciso soletrar cada palavra, para
que os poemas (poesias) viessem a fazer parte da constituição do
meu próprio ser. E foi justamente o que fiz, pois só assim pude
experimentar todo o prazer que esta obra, da Escritora Nildinha
Freitas, pode proporcionar.
O livro nos apaixona logo pela capa em
vermelho-escarlate e letras douradas. Já que o vermelho é a cor das
paixões e o dourado lembra a riqueza, contextualiza perfeitamente
com tudo que encontramos do princípio ao fim do mesmo, que é pura
riqueza poética.
Sua apresentação foi feita por um magnifico
escritor, o Junior Dalberto. Esse, inclusive, escreveu o livro “Pipa
Voada Sobre Brancas Dunas”, cuja leitura me salvou a vida. Mas
essa, é outra história.
Tenho toda convicção de que a pessoa que me
fez amar poesia, o meu saudoso avô José Rodrigues, iria amar ler
"Dê Lírio". E quem sabe isso não ocorra, uma vez que
existe uma possibilidade quântica dessa obra está transcendendo
nossa realidade e em outro universo (subversor), meu avô possa
deleitar-se, assim como eu, com os poemas de Nildinha Freiras. E olhe
que sou bem descrente nessas coisas, mas tanto Nildinha, como Júnior
Dalberto quebram minha descrença, uma vez que suas escritas geniais
dão verdade àquilo que nos parece impossível de ser.
Bem, falei da cor do livro, falei dos que me
ensinaram a ler, falei até de quem me ensinou a amar o gênero
literário poesia, mas ainda não fiz o que sempre faço em todas as
resenhas que escrevo, ainda não deixei um fragmento da obra, algo
que gostei assim que li. Preciso confessar que estou com problema
quanto a isso, pois gostei até do cheiro da tinta que foi usada para
imprimir esse livro. Então, minha tarefe de escolher apenas um
fragmento está muito difícil! Deu vontade de colocar todos os
poemas, na íntegra, só que seria acusado de plagio e, o pior, você
não iria comprar a obra de Nildinha Freitas para ter o mesmo prazer
que eu tive. Mas, vamos lá! Depois de muito pensar, lá vai um
fragmento de “Dê Lírio”:
Verdades e mentiras sobre mim?
Coisas ditas!
Coisas que ninguém viu
E nem sei se ainda vai ver.
Os pedaços do meu pranto
Que deixei espalhados
Pelos cantos
Ninguém nunca recolheu.
(Trecho do poema “Fragmento”. p.85)
O eu-lírico da poetisa nesses versos parecem
falar da própria poetisa, mas mais que isso, fala é de nós. Dou fé
em dizer do que queríamos saber sobre nós, na visão dos outros, ao
mesmo tempo que é um fragmento, uma parte, um pedaço, o poema é
também um todo indivisível, ele entra em movimento e se conecta a
todas as partes e estruturas universais do fazer poesia, do fazer da
magnânima poesia.
Por hora, é o que posso dizer da poesia de
Nildinha Freitas. Seu livro me deixou em êxtase. Obrigado Poetisa,
por tão caprichosos versos em cada uma das 89 páginas do seu e do
nosso “Dê Lírio”.
Me atrevo a usar um verso de uma das músicas
da banda Legião Urbana: “Venha, que o que vem é perfeição”.
Então, venha e leia a obra de Nildinha Freitas, que verás o que é
perfeição.
Cláudio Wagner
Poeta, professor historiador, Cientista das
Religiões, 1º Secretário da SPVA/RN e autor do livro Entre
a Sombra da Razão e a Razão da Sombra.
REFERÊNCIA
FREITAS, Nildinha,
Dê Lírio. Natal-RN, CJA Edições,
2017.
LEGIÃO URBANA, Perfeição, extraído do site:
https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/46967/
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Resenha Poética com Cláudio Wagner
O
Ser Negro na Cidade do Natal- RN: Um olhar de quem vive essa
realidade.
“Negro
drama, e sei quem trama, e quem tá comigo, o trauma que eu carrego,
pra não ser mais um preto fodido.”
(Racionais Mc's)
O
ano é da graça do nosso senhor de 2017, século XXI, Natal-RN,
Brasil. Tenho a pele escura, ou seja, sou negro de nascimento e de
vida. Para quem vai começar a ler esse texto certamente deve estar
se perguntando: e
o que a cor da pele do escritor tem a ver com o texto?
E o que você leitor têm a ver com as questões relacionadas a ser
negro na Cidade do Natal? E digo: tens muita coisa a ver. Fazem mais
de 100 anos desde que o Brasil, que na época tinha apenas 15 milhões
de habitantes e não os mais de 200 milhões que temos hoje, aboliu a
escravidão negra, onde aliás os negros que foram libertos somavam
700 mil, isso lá para os 13 de maio de 1888, não era um número
considerado expressivo, devido antes a outras políticas que já
vinham sendo implementadas buscando o fim dessa parte por demais
vergonhosa do nosso passado, a escravidão de homens e mulheres que
eram forçados a trabalhar de graça – e isso era justificado, tão
somente porque devido a sua cor de pele – esses não eram
considerados gente (seres humanos) Seja pela igreja católica que
chegou a afirmar que esses não tinham alma, seja pelas teorias do
Evolucionismo e Racionalismo que ganham forma na sociedade europeia
nos séculos XVIII e XIX.
Mas,
o estranho é perceber que mesmo passado tanto tempo desde a
liberdade da escravidão negra no Brasil, e no caso específico em
Natal a situação dos Negros(as) mesmo que libertos, continua sendo
muito difícil, pois o “racismo” ideia que defende a
superioridade de uma raça sobre a outra – brancos superiores a
negros – de acordo com essa ideia e que ainda hoje age às
escondidas, sempre de forma camuflada, impera entre nós e é a
responsável direta para que a vida de quem tem a pele escura seja
levada nas condições mais degradantes da existência humana, em
comparação a outros grupos étnicos-culturais. E é bom lhe deixar
ciente que o racismo não é algo que sempre existiu ou mesmo que
nasce entre nós, mas que ele é fruto de um processo histórico têm
raízes lá nos séculos XVIII e XIX, momento de expansão comercial
europeia, principalmente Inglaterra, Espanha e Portugal que viam
tanto no "Evolucionismo" como no "Racionalismo"
as teorias que davam base e sustentação para que os europeus
dominassem as suas colônias, e os povos que nelas habitavam.
Exemplos: Brasil colônia de Portugal e África colônia Inglesa de
onde foi retirada à força a maioria da mão de obra escrava levada
para trabalhar nas suas colônias.
O
evolucionismo, teoria desenvolvida por Charles Darwin defende que
todas as espécies que existem no planeta são fruto de bilhões de
anos de evolução e que todas foram evoluindo a partir de organismos
mais simples que vão se especializando e os mais fortes conseguem
sobreviver formando novas e mais complexas espécies. Usando essa
teoria o branco europeu justificou que seu domínio sobre negro
africano era porque o segundo fazia parte de uma espécie inferior
que ainda estava num estágio quase que animal e precisava então
evoluir e caberia aos brancos esse papel de levá-los para essa
suposta evolução.
Já
o racionalismo, corrente filosófica que tem uma origem aproximada lá
pelo século I antes da era comum, e porém, não exatamente das suas
ideias fundantes que trato aqui, mas sim das que iriam se desenvolver
e florescer junto com o pensamento liberal no séculos XVIII e XIX
com a partir de pensadores como Descartes, Spinosa e Leibniz.
Descartes conhecido por ser o fundador do "método científico",
defende uma supremacia da ciências em relação por exemplo, a
religião, e que só a partir de um método de estudo apurado é que
se pode chegar as verdades relativas a vida. Pensadores como George
Wilhelm e Friedrich Hegel vão demonstrar em sua obra como os brancos
são superiores em relação as artes, a filosofia, a ciência,
política e etc. Cabendo inclusive a esses guiar os negros para fora
do seus atrasos civilizatórios. Nas palavras de Hegel:
O
negro, como já observamos, exibe o homem natural em seu
estado
mais completamente selvagem e desregrado. Devemos
deixar
de lado qualquer pensamento de reverência e moralidade –tudo o que
podemos chamar de sentimento – se quisermos compreendê-lo
corretamente; não há nada em consonância com a
humanidade
que possa ser encontrado neste tipo de caráter.
A
citação por si só já diz tudo, mostra o quanto esse pensamento é
um fulcro para as teorias racistas o que talvez muito nem saibam,
pois jamais tendo lido Hegel ou mesmo algum outro autor aqui
referido. Certamente essa frase proferida hoje em dia que temos
movimentos organizados contra discriminação e preconceito o autor
seria processado e até nem a teria escrito. Mas século depois, ela
a frase, é ainda atual para o grupos que vivem da disseminação do
ódio racial mesmo sendo esses ignorantes a respeito do contexto
histórico e cultural onde esse ódio foi criado.
Porém,
estamos na Natal-RN século XXI e o olhar que apresentamos aqui sobre
a situação de SER NEGRO nessa cidade do Sol, e de Brancos são os
números dos órgãos oficias como o IBGE que falam por si, que
gritam sobre como a situação dos Negros(as) é vivida na mais pura
desigualdade de oportunidades referente a moradia, educação, acesso
a saúde, condições de trabalho e ascensão social. Segundo a
Estatística (IBGE) e Mapa da Violência de 2016:
39.471
pessoas que residem em Natal se declaram negras (IBGE) e Mapa da
Violência de 2016. 11.399 natalenses negros vivem entre meio a um
salário mínimo. Apenas 219 residentes em Natal que são negros
vivem com mais de 10 salários mínimos, 16.983 negros não possuem o
ensino fundamental completo ou são analfabetos. Somente 2.387
pessoas terminaram uma faculdade. 39.354 negros que residem em Natal
moram em casa, sendo que 6.110 moram em barracos nas favelas
Se
somarmos esse números a questão da violência sofrida pela
população negra percebermos que não é fácil para alguém de cor
viver nessa cidade segundo matéria do jornal Tribuna do Norte de
30/12/2015 com o titulo: No RN, 82,7% das Vítimas de homicídios são
negros ou pardos. O que desmontaria a marca da desigualdade racial no
tocante as mortes violentas em nossa estado. A mesma matéria
trabalha os números de mortes por cada cidade no estado e Natal
aparece em 1 colocada com 499 homicídios. Dentro desse número a
maioria é parda ou negra. A matéria relata que oito em cada das
pessoas que foram mortas no ano de 2015 são negras ou pardas. Esse
número aumentou em relação a 2014, mas mesmo nesse outro ano o
número de mortos de brancos foi inferior ou de negros.
Como
o próprio titulo do texto sugere, somos negros, vivemos e sabemos a
realidade e como a questão aqui é um olhar usamos alguns dados e
buscamos fazer elos com a história das questões raciais para quem
sabe, juntos, possamos buscar os caminhos para acabar com essas
desigualdades que separam historicamente brancos e negros, no que se
refere a ter acesso a educação, saúde, moradia, segurança,
emprego, ou seja, as questões mínimas para a garantia de uma vida
como um cidadão completo. Lembrando que quem olha, olha para algum
lugar e vê alguma direção, e olhando deixo as perguntas: por quê
na Câmara de Vereadores(as) de Natal não temos na atual legislatura
nenhum negro? Por que o Dia da Consciência Negra (20 de novembro)
onde lembramos Zumbi dos Palmares foi retirado do calendário como
feriado? Mas, os feriados santos continuam. As respostas a essa
perguntas parecem sim que estão ligadas ao preconceito de raça,
aliás essa ideia de raça já foi a muito abolida pela ciências,
pois somos uma única espécie humana, mas essa ideia de raça ainda
persiste na cabeça do irracionais.
E
na música Negro Drama os “Negro Drama” (Racionais MC) dizem
assim:
“Eu sei quem trama, e quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra
não ser mais um preto fodido.”
Só sabendo (conhecendo) nossa história e raízes do preconceito e
entendendo que está ao nossa lato nessa luta para superar as
desigualdades é que iremos mudar as estatísticas para negros,
pardos.
Referencia
http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/no-rn-82-7-das-va-timas-de-homica-dio-sa-o-negros-ou-pardos/334363
http://www.mapadaviolencia.org.br/
Figueiredo,
Fábio Baqueiro. História da África, Brasília: Ministério da
Educação. Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e
Diversidade.
Salvador:
Centro de Estudos Afro Orientais, 2009.
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Resenha Poética com Cláudio Wagner: DO AMOR...
DO AMOR…
Do amor e algumas crônicas, mas não estão
todas aqui no subtítulo senão ficaria enorme e cafona, é o nome do
Livro de Alice Carvalho, lançado em 2015, pela Editora Jovens
Escribas. Achei esse subtítulo grande, mas não entrarei no mérito
se é ou não cafona. Aliás, essa provocação da autora em relação
ao mesmo achei muito massa.
Provocação, é o que não irá faltar nas 125
páginas da obra. Sou capaz de dizer que provocação é uma marca da
Alice, e olha que não a conheço, porém, já assisti um monologo
que ela escreveu, no qual ela própria encenou, que me deixou com
essa ideia. E lendo esse livro, isso se confirmou. Mas, não é uma
provocação pura e simplesmente por provocar, nem para gerar
balburdia ou tergiversar sem nexo, mas uma provocação no sentido de
fazer-nos ter a ação de pensar sobre as coisas e tomarmos alguma
atitude sobre elas. Só para constar, o nome do monologo que Alice
nos provoca a pensar é “Inkubus”... isso é tudo que direi sobre
ele.
Como não repetirei o título e subtítulo da
obra, aqui ele receberá o apelido: “Do Amor”. Quando comecei a
ler, pensei que não iria gostar, pois achei o início assim meio que
um jogo de tá quente, tá frio feito, mas aos poucos fui sacando a
jogada genial que ela imprime e que parece querer deixar-nos
entediados, com alguns vai e vens, sobre o livro em si, sobre a arte
de escrita e coisas assim, porém aos mesmo tempo, ela vai nos
presentear com as dúvidas, e se há dúvidas, temos que ir até o
final para poder saná-las. E foi o que fiz.
Com a afirmativa "Toda mulher é igual", Carvalho começa
sua escrita. Esse é o nome do primeiro capítulo. Nos primeiros
parágrafos, vemos a justificativa do porquê. Sou sincero em dizer,
já tinha ouvido essa frase um milhão de vezes, mas partindo de
homens se referindo às mulheres, mas nunca como a opinião de uma
mulher. Alice diz nesse texto, do primeiro parágrafo:
Toda
mulher é igual. Negra, branca, parda, heterossexual, bissexual,
homossexual, transexual, assexuada, pobre, rica, emergente, malhando
glúteos (ou não) e até mesmo aquela que diz não se importar com
os assuntos do coração. No fundo, a gente, só quer paz e um amor
que nos faça perder a noção do tempo - seja ele de carne e osso ou
apenas fabricado de alguma forma. ( p.13).
Antes que você diga que esse pensamento é
machista, reduz a figura da mulher só à dimensão do
sentimentalismo, eu digo: Calma! Leia primeiro a obra toda, aí você
tira suas conclusões. Esse trecho escolhi de proposito, só para
demonstrar e provar minha tese das “provocações”. Quando
comprares a obra e lê-la, verás o quanto de aproprio ao contexto, o
fragmento está encaixado, tal qual peça de quebra-cabeças.
Num emaranhado de revira voltas, e num jogo de
vai e vem, as personagens, a partir da personagem central do livro,
deseja ter uma casamento feliz com um noivo que ela acredita que vem
deixando ao longo de sua vida, pistas de quanto a ama, porém esse
noivo, ela não conhece pessoalmente, o que não a impedimento que
mobilize todo um aparato de um grande evento de casamento, convidando
parentes e amigos, e indo para a igreja vestida de noiva, mas o
casamento nunca ocorre, uma vez que o noivo não comparece para tal
cerimônia. Todas as pessoas acreditam que a jovem sofre de algum
distúrbio mental, que a faz marcar sucessivas cerimônias de
casamento com um noivo fantasma, mas é nos muitos diálogos, que
vamos encontrar dentro do livro, que nossa protagonista tem com um
amigo que revela parte desse segredo. Nossa! Quase entrego o desfecho
da obra! Mas, como não é minha intenção, só digo uma coisa,
também vemos na obra uma brincadeira com o número 14, que aparece
como um revelador místico, cabalístico, pois a combinação de
números que juntos dão 14, pode ensinar algo sobre nós e o próprio
universo, isso para as ideias da personagem.
Bem, quando o livro termina, quando a história
dos personagens tem sua apoteose, Alice Carvalho brinda-nos com um
capítulo extra, que está a mostra e escondido, digamos, ao mesmo
tempo, dentro da obra. Nesse capítulo, acreditem, tem uma história
revolucionaria sobre Pierrot e Colombina, que não darei detalhes. A
meu ver, só poderia ter nascido de alguém como Alice Carvalho, que
no meu entender, ama provocar os pensamentos. Então, vai procurar o
livro, leia-o e depois me diz...
Poeta,
professor historiador, Cientista das Religiões, 1º Secretário da
SPVA/RN e autor do livro Entre
a Sombra da Razão e a Razão da Sombra.
REFERÊNCIA
CARVALHO. Alice. Do Amor e algumas crônicas,
mas não estão todas aqui no subtítulo senão o subtítuo ficaria
enorme e cafona. Jobens Escribas, Natal-RN, 2015.
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