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Brinquedoteca Itinerante e Popular

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Brinquedoteca Recebe Menção Honrosa da SME-Natal

          Hoje venho agradecer a Menção Honrosa ABRAÇAR E AGRADECER da Secretaria de Educação de Natal, através do CMEI Professor ARNALDO ARSÊNIO e em nome de todos os CMEI trabalhado nessa parceria cultural com nossa instituição BRINQUEDOTECA ITINERANTE E POPULAR.












Resenha Poética com Cláudio Wagner: O ESPELHO DE ELOISA


O Espelho de Eloísa


Eu não tenho mais a cara que eu tinha, no espelho essa cara já não é minha.
Nando Reis

          Se alguém me perguntasse que lugar eu escolheria para ficar preso, responderia, sem dúvidas, que seria na cabeça de um escritor ou escritora. Pensem no quanto de histórias e magia há na cabeça desses seres. Viver num lugar desses, tão privilegiado, vivenciando o processo de criação e concebimento, antes da obra ser presenteada ao mundo, seria incrível!
         A autora de quem irei falar uma pitadinha da sua mais nova criação, o livro "O Espelho de Eloísa", lançado pela CJA- Edições, 2018, é a Professora Doutora Araceli Sobreira. Tive o privilégio de conhecê-la quando ingressei no curso de Ciências da Religião (UERN), há mais de 10 anos. Quando peguei esse livro em minhas mãos, não tive dúvidas de que a experiência seria gratificante e, ao fim da leitura, algo de novo seria acrescentado em meu viver. E assim aconteceu. A cada um dos contos que acabava de ler, elevava-me com a força, a leveza, a delicadeza e principalmente o humano de cada umas das mulheres, que são as personagens centrais de todo o enredo.
          Mas, como é sabido por todos que leem essa coluna, não darei spoiler do livro, apenas contarei pequenos detalhes para aguçar seus instintos de devoradores de belas histórias proporcionadas por bons livros. Nesse caso, o Espelho de Eloísa é uma ótima opção.
       Araceli Sobreira, domina os meandros da nossa língua portuguesa e tem uma sensibilidade refinada, oferecendo-nos um brilhante trabalho, transportando-nos ao mundo das suas personagens, fazendo com que possamos saborear tanto os prazeres, como os desprezares das mesmas.
        Bem, deixa eu colocar esse pão (livro) na bandeja das minhas escolhas, e servir as fatias da forma que a própria autora escolheu. Fatia 1: Histórias de Mulheres Sábias, que são os contos encontrados da página 13 até a 45. Os títulos são: O espelho de Eloísa; O despertar de Zélia; A cura;          A história de Elza; O conto das quatro luas e Dora. Fatia 2: Olhares e Paisagens, que irá da página 51 até a 89. Os títulos são: Na antessala da vida; Um anjo no viaduto; Uma noite entre pedras; Amores de rua; Era quase uma lenda; O Parto e, finalizando, A menina e a Serra do Feiticeiro. Fiquei amarradão no enredo da história desse último conto. Quer saber por que? É só ler o livro.
       Prontamente fatiado o livro (pão para nossas almas), você agora já sabe o título de cada conto, mas as histórias contidas neles, essas deixarei em segredo. Mas, como não sou tão ruim assim, mostrarei um pouco do conto, que dá nome a obra, comentando minhas impressões. Vamos lá então:

Tão pequena, mas tão forte. Esquecida entre as matas, conseguia juntar forças. Ela sábia que até os deuses a temiam, tinha os olhos miúdos, rasgados no rosto moreno. (p,15).

           Você pode até pensar que eu só posso é está de brincadeira, pois esperava um trecho maior, algo que revelasse logo por completo o conto, daí eu coloco só um pedacinho. Calma! Lembre-se que um espelho é aquele utensílio que reflete um pouco da gente, que nos mostra algo de nós, mas que nem sempre nos identificamos com isso. Esse trecho que usei é um espelho, mas é a narradora do conto refletindo quem é Eloísa, quais os traços da personalidade dessa mulher, pois se é pequena em estatura, é grandiosa em força, em alma e personalidade. Se até os deuses tem medo dela, imagina nós, pobres mortais.
         Mas, você deve estar se questionando: Para que irei ler algo sobre alguém que me causará medo? Aí é que está, não terás! Irás é se identificar, refletir-se e, ter também, estranhamento desse reflexo. Verás que uma mulher se constrói e reconstrói todos os dias na busca incessantes do que todos os seres vivos fazem para serem feliz, para deixarem suas marcas no mundo.
          Como diz um trecho da música escrita por Nando Reis: "Eu não tenho mais a cara que eu tinha, no espelho essa cara já não é minha". E é assim que Araceli Sobreira mostra-nos, de forma simples, esse nosso não reconhecimento de quem somos quando estamos em frente ao espelho, a cara nunca é nossa, mas se olharmos o espelho e nos procurarmos no tempo, quem sabe assim, nos reconheceremos.
       De acordo com meu amigo Manuel Azevedo, se o simples fosse fácil, alguém já teria feito outro.
Parabéns a autora!
E vamos à leitura!

 Claudio Wagner
Poeta, professor historiador, Cientista das Religiões, 1º Secretário da SPVA/RN e autor do livro Entre a Sombra da Razão e a Razão da Sombra.



REFERÊNCIAS

REIS, Nando, Não Vou Me Adaptar, Disponivle em: https://www.vagalume.com.br/nando-reis/nao-vou-me-adaptar.html
SOBREIRA, Araceli, O Espelho de Eloísa: e outras histórias de mulheres sábias. Natal-RN, CJA 2018.



sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Resenha Poética com Cláudio Wagner: Convida você para o lançamento do livro de Roberto Noir


Poeta Roberto Noir lança primeiro livro neste sábado em Natal


O professor, escritor e poeta Roberto Noir lançará neste sábado, dia 20, seu primeiro livro, "Post Mortem", pelo selo editorial da SPVA-RN (Sociedade dos Poetas Vivos e Afins-RN), em parceria com a OW Edições. O lançamento será às 18h na Galeria Salgado Filho, na avenida Salgado Filho, 1773, Lagoa Nova, em frente ao Portugal Center.

A obra, escrita em versos por Roberto Noir e ilustrada por Jack Jacson, relata uma história que traz elementos como traição e ressentimento, retratados de forma ultrarromântica, com uma certa influência de Shakespeare e das tragédias gregas. As ilustrações complementam a poética da história dando um ar de HQ (História em Quadrinhos) ao livro.

Há também influências de diversos artistas, entre eles os poetas brasileiros Augusto dos Anjos e Álvares de Azevedo, Lacrimosa (banda alemã de metal gótico) Lacroix Desphères, Moi Dix Mois e Sito Magus (bandas japonesas de metal).

"Apesar da história ser relativamente curta, sua densidade faz com que passemos tempo a refletir durante e após a leitura sobre certas situações em que vivenciamos e/ou vimos outras pessoas passarem. Podemos até mesmo ser vítimas do egoísmo alheio, assim como podemos ser os algozes", analisa o escritor.

SERVIÇO
Lançamento de Post Mortem
Quando: Sábado dia 20
Horário: 18h
Onde: Galeria Salgado Filho, na avenida Salgado Filho, 1773, Lagoa Nova, em frente ao Portugal Center.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Resenhe Poética com Cláudio Wagner: Dê Lírios - Nildinha Freitas


DÊ LÍRIO



       Quem me ensinou a juntar as letras e depois soletrá-las, no que chamamos de saber ler, foi certamente a professora Anilda, na Escola Estadual Isabel Gondim. Mas, quem de fato me ensinou a ler foi meu amigo, professor e advogado João Maria Oliveira (João Oliveira). Ele não é do tipo que dá conselhos sobre qual livro deveríamos ler, mas sim, chega e nos empresta tal livro. Daí, você só tem duas opções: ler ou ler. Acredite, ler um livro que passou pelas mãos de João Oliveira é uma experiência única, pois o livro vem todo fichado, com apontamentos e suas impressões a respeito da leitura. Isso torna a leitura encantadora, já que parece que estamos lendo um livro dentro de um livro. Assim sendo, aprendi a ser desses que pega um livro, lê de orelha a orelha e ainda dá uma boa olhada na ficha técnica e catalográfica da obra.
E o que tem haver ter aprendido a ler, com essa resenha? Tudo! Pois, foi preciso rabiscar toda a obra “Dê Lírio”, ler como o João Oliveira leria, deixando apontamentos a cada nova virada de folha. Foi preciso soletrar cada palavra, para que os poemas (poesias) viessem a fazer parte da constituição do meu próprio ser. E foi justamente o que fiz, pois só assim pude experimentar todo o prazer que esta obra, da Escritora Nildinha Freitas, pode proporcionar.
O livro nos apaixona logo pela capa em vermelho-escarlate e letras douradas. Já que o vermelho é a cor das paixões e o dourado lembra a riqueza, contextualiza perfeitamente com tudo que encontramos do princípio ao fim do mesmo, que é pura riqueza poética.
Sua apresentação foi feita por um magnifico escritor, o Junior Dalberto. Esse, inclusive, escreveu o livro “Pipa Voada Sobre Brancas Dunas”, cuja leitura me salvou a vida. Mas essa, é outra história.
Tenho toda convicção de que a pessoa que me fez amar poesia, o meu saudoso avô José Rodrigues, iria amar ler "Dê Lírio". E quem sabe isso não ocorra, uma vez que existe uma possibilidade quântica dessa obra está transcendendo nossa realidade e em outro universo (subversor), meu avô possa deleitar-se, assim como eu, com os poemas de Nildinha Freiras. E olhe que sou bem descrente nessas coisas, mas tanto Nildinha, como Júnior Dalberto quebram minha descrença, uma vez que suas escritas geniais dão verdade àquilo que nos parece impossível de ser.
Bem, falei da cor do livro, falei dos que me ensinaram a ler, falei até de quem me ensinou a amar o gênero literário poesia, mas ainda não fiz o que sempre faço em todas as resenhas que escrevo, ainda não deixei um fragmento da obra, algo que gostei assim que li. Preciso confessar que estou com problema quanto a isso, pois gostei até do cheiro da tinta que foi usada para imprimir esse livro. Então, minha tarefe de escolher apenas um fragmento está muito difícil! Deu vontade de colocar todos os poemas, na íntegra, só que seria acusado de plagio e, o pior, você não iria comprar a obra de Nildinha Freitas para ter o mesmo prazer que eu tive. Mas, vamos lá! Depois de muito pensar, lá vai um fragmento de “Dê Lírio”:

Verdades e mentiras sobre mim?
Coisas ditas!
Coisas que ninguém viu
E nem sei se ainda vai ver.

Os pedaços do meu pranto
Que deixei espalhados
Pelos cantos
Ninguém nunca recolheu.

(Trecho do poema “Fragmento”. p.85)

O eu-lírico da poetisa nesses versos parecem falar da própria poetisa, mas mais que isso, fala é de nós. Dou fé em dizer do que queríamos saber sobre nós, na visão dos outros, ao mesmo tempo que é um fragmento, uma parte, um pedaço, o poema é também um todo indivisível, ele entra em movimento e se conecta a todas as partes e estruturas universais do fazer poesia, do fazer da magnânima poesia.
Por hora, é o que posso dizer da poesia de Nildinha Freitas. Seu livro me deixou em êxtase. Obrigado Poetisa, por tão caprichosos versos em cada uma das 89 páginas do seu e do nosso “Dê Lírio”.
Me atrevo a usar um verso de uma das músicas da banda Legião Urbana: “Venha, que o que vem é perfeição”. Então, venha e leia a obra de Nildinha Freitas, que verás o que é perfeição.

 
Cláudio Wagner
Poeta, professor historiador, Cientista das Religiões, 1º Secretário da SPVA/RN e autor do livro Entre a Sombra da Razão e a Razão da Sombra.

REFERÊNCIA
FREITAS, Nildinha, Dê Lírio. Natal-RN, CJA Edições, 2017.
LEGIÃO URBANA, Perfeição, extraído do site: https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/46967/

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Resenha Poética com Cláudio Wagner


O Ser Negro na Cidade do Natal- RN: Um olhar de quem vive essa realidade.

“Negro drama, e sei quem trama, e quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra não ser mais um preto fodido.” (Racionais Mc's)

O ano é da graça do nosso senhor de 2017, século XXI, Natal-RN, Brasil. Tenho a pele escura, ou seja, sou negro de nascimento e de vida. Para quem vai começar a ler esse texto certamente deve estar se perguntando: e o que a cor da pele do escritor tem a ver com o texto? E o que você leitor têm a ver com as questões relacionadas a ser negro na Cidade do Natal? E digo: tens muita coisa a ver. Fazem mais de 100 anos desde que o Brasil, que na época tinha apenas 15 milhões de habitantes e não os mais de 200 milhões que temos hoje, aboliu a escravidão negra, onde aliás os negros que foram libertos somavam 700 mil, isso lá para os 13 de maio de 1888, não era um número considerado expressivo, devido antes a outras políticas que já vinham sendo implementadas buscando o fim dessa parte por demais vergonhosa do nosso passado, a escravidão de homens e mulheres que eram forçados a trabalhar de graça – e isso era justificado, tão somente porque devido a sua cor de pele – esses não eram considerados gente (seres humanos) Seja pela igreja católica que chegou a afirmar que esses não tinham alma, seja pelas teorias do Evolucionismo e Racionalismo que ganham forma na sociedade europeia nos séculos XVIII e XIX.
Mas, o estranho é perceber que mesmo passado tanto tempo desde a liberdade da escravidão negra no Brasil, e no caso específico em Natal a situação dos Negros(as) mesmo que libertos, continua sendo muito difícil, pois o “racismo” ideia que defende a superioridade de uma raça sobre a outra – brancos superiores a negros – de acordo com essa ideia e que ainda hoje age às escondidas, sempre de forma camuflada, impera entre nós e é a responsável direta para que a vida de quem tem a pele escura seja levada nas condições mais degradantes da existência humana, em comparação a outros grupos étnicos-culturais. E é bom lhe deixar ciente que o racismo não é algo que sempre existiu ou mesmo que nasce entre nós, mas que ele é fruto de um processo histórico têm raízes lá nos séculos XVIII e XIX, momento de expansão comercial europeia, principalmente Inglaterra, Espanha e Portugal que viam tanto no "Evolucionismo" como no "Racionalismo" as teorias que davam base e sustentação para que os europeus dominassem as suas colônias, e os povos que nelas habitavam. Exemplos: Brasil colônia de Portugal e África colônia Inglesa de onde foi retirada à força a maioria da mão de obra escrava levada para trabalhar nas suas colônias.
O evolucionismo, teoria desenvolvida por Charles Darwin defende que todas as espécies que existem no planeta são fruto de bilhões de anos de evolução e que todas foram evoluindo a partir de organismos mais simples que vão se especializando e os mais fortes conseguem sobreviver formando novas e mais complexas espécies. Usando essa teoria o branco europeu justificou que seu domínio sobre negro africano era porque o segundo fazia parte de uma espécie inferior que ainda estava num estágio quase que animal e precisava então evoluir e caberia aos brancos esse papel de levá-los para essa suposta evolução.
Já o racionalismo, corrente filosófica que tem uma origem aproximada lá pelo século I antes da era comum, e porém, não exatamente das suas ideias fundantes que trato aqui, mas sim das que iriam se desenvolver e florescer junto com o pensamento liberal no séculos XVIII e XIX com a partir de pensadores como Descartes, Spinosa e Leibniz. Descartes conhecido por ser o fundador do "método científico", defende uma supremacia da ciências em relação por exemplo, a religião, e que só a partir de um método de estudo apurado é que se pode chegar as verdades relativas a vida. Pensadores como George Wilhelm e Friedrich Hegel vão demonstrar em sua obra como os brancos são superiores em relação as artes, a filosofia, a ciência, política e etc. Cabendo inclusive a esses guiar os negros para fora do seus atrasos civilizatórios. Nas palavras de Hegel:

O negro, como já observamos, exibe o homem natural em seu estado mais completamente selvagem e desregrado. Devemos deixar de lado qualquer pensamento de reverência e moralidade –tudo o que podemos chamar de sentimento – se quisermos compreendê-lo corretamente; não há nada em consonância com a humanidade que possa ser encontrado neste tipo de caráter.

A citação por si só já diz tudo, mostra o quanto esse pensamento é um fulcro para as teorias racistas o que talvez muito nem saibam, pois jamais tendo lido Hegel ou mesmo algum outro autor aqui referido. Certamente essa frase proferida hoje em dia que temos movimentos organizados contra discriminação e preconceito o autor seria processado e até nem a teria escrito. Mas século depois, ela a frase, é ainda atual para o grupos que vivem da disseminação do ódio racial mesmo sendo esses ignorantes a respeito do contexto histórico e cultural onde esse ódio foi criado.
Porém, estamos na Natal-RN século XXI e o olhar que apresentamos aqui sobre a situação de SER NEGRO nessa cidade do Sol, e de Brancos são os números dos órgãos oficias como o IBGE que falam por si, que gritam sobre como a situação dos Negros(as) é vivida na mais pura desigualdade de oportunidades referente a moradia, educação, acesso a saúde, condições de trabalho e ascensão social. Segundo a Estatística (IBGE) e Mapa da Violência de 2016:

39.471 pessoas que residem em Natal se declaram negras (IBGE) e Mapa da Violência de 2016. 11.399 natalenses negros vivem entre meio a um salário mínimo. Apenas 219 residentes em Natal que são negros vivem com mais de 10 salários mínimos, 16.983 negros não possuem o ensino fundamental completo ou são analfabetos. Somente 2.387 pessoas terminaram uma faculdade. 39.354 negros que residem em Natal moram em casa, sendo que 6.110 moram em barracos nas favelas

Se somarmos esse números a questão da violência sofrida pela população negra percebermos que não é fácil para alguém de cor viver nessa cidade segundo matéria do jornal Tribuna do Norte de 30/12/2015 com o titulo: No RN, 82,7% das Vítimas de homicídios são negros ou pardos. O que desmontaria a marca da desigualdade racial no tocante as mortes violentas em nossa estado. A mesma matéria trabalha os números de mortes por cada cidade no estado e Natal aparece em 1 colocada com 499 homicídios. Dentro desse número a maioria é parda ou negra. A matéria relata que oito em cada das pessoas que foram mortas no ano de 2015 são negras ou pardas. Esse número aumentou em relação a 2014, mas mesmo nesse outro ano o número de mortos de brancos foi inferior ou de negros.
Como o próprio titulo do texto sugere, somos negros, vivemos e sabemos a realidade e como a questão aqui é um olhar usamos alguns dados e buscamos fazer elos com a história das questões raciais para quem sabe, juntos, possamos buscar os caminhos para acabar com essas desigualdades que separam historicamente brancos e negros, no que se refere a ter acesso a educação, saúde, moradia, segurança, emprego, ou seja, as questões mínimas para a garantia de uma vida como um cidadão completo. Lembrando que quem olha, olha para algum lugar e vê alguma direção, e olhando deixo as perguntas: por quê na Câmara de Vereadores(as) de Natal não temos na atual legislatura nenhum negro? Por que o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) onde lembramos Zumbi dos Palmares foi retirado do calendário como feriado? Mas, os feriados santos continuam. As respostas a essa perguntas parecem sim que estão ligadas ao preconceito de raça, aliás essa ideia de raça já foi a muito abolida pela ciências, pois somos uma única espécie humana, mas essa ideia de raça ainda persiste na cabeça do irracionais.
E na música Negro Drama os “Negro Drama” (Racionais MC) dizem assim: “Eu sei quem trama, e quem tá comigo, o trauma que eu carrego, pra não ser mais um preto fodido.” Só sabendo (conhecendo) nossa história e raízes do preconceito e entendendo que está ao nossa lato nessa luta para superar as desigualdades é que iremos mudar as estatísticas para negros, pardos.


Referencia

http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/no-rn-82-7-das-va-timas-de-homica-dio-sa-o-negros-ou-pardos/334363

http://www.mapadaviolencia.org.br/

Figueiredo, Fábio Baqueiro. História da África, Brasília: Ministério da Educação. Secretária de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade.

Salvador: Centro de Estudos Afro Orientais, 2009.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Resenha Poética com Cláudio Wagner: DO AMOR...




DO AMOR…



Do amor e algumas crônicas, mas não estão todas aqui no subtítulo senão ficaria enorme e cafona, é o nome do Livro de Alice Carvalho, lançado em 2015, pela Editora Jovens Escribas. Achei esse subtítulo grande, mas não entrarei no mérito se é ou não cafona. Aliás, essa provocação da autora em relação ao mesmo achei muito massa.
Provocação, é o que não irá faltar nas 125 páginas da obra. Sou capaz de dizer que provocação é uma marca da Alice, e olha que não a conheço, porém, já assisti um monologo que ela escreveu, no qual ela própria encenou, que me deixou com essa ideia. E lendo esse livro, isso se confirmou. Mas, não é uma provocação pura e simplesmente por provocar, nem para gerar balburdia ou tergiversar sem nexo, mas uma provocação no sentido de fazer-nos ter a ação de pensar sobre as coisas e tomarmos alguma atitude sobre elas. Só para constar, o nome do monologo que Alice nos provoca a pensar é “Inkubus”... isso é tudo que direi sobre ele.
          Como não repetirei o título e subtítulo da obra, aqui ele receberá o apelido: “Do Amor”. Quando comecei a ler, pensei que não iria gostar, pois achei o início assim meio que um jogo de tá quente, tá frio feito, mas aos poucos fui sacando a jogada genial que ela imprime e que parece querer deixar-nos entediados, com alguns vai e vens, sobre o livro em si, sobre a arte de escrita e coisas assim, porém aos mesmo tempo, ela vai nos presentear com as dúvidas, e se há dúvidas, temos que ir até o final para poder saná-las. E foi o que fiz.
       Com a afirmativa "Toda mulher é igual", Carvalho começa sua escrita. Esse é o nome do primeiro capítulo. Nos primeiros parágrafos, vemos a justificativa do porquê. Sou sincero em dizer, já tinha ouvido essa frase um milhão de vezes, mas partindo de homens se referindo às mulheres, mas nunca como a opinião de uma mulher. Alice diz nesse texto, do primeiro parágrafo:

Toda mulher é igual. Negra, branca, parda, heterossexual, bissexual, homossexual, transexual, assexuada, pobre, rica, emergente, malhando glúteos (ou não) e até mesmo aquela que diz não se importar com os assuntos do coração. No fundo, a gente, só quer paz e um amor que nos faça perder a noção do tempo - seja ele de carne e osso ou apenas fabricado de alguma forma. ( p.13).

           Antes que você diga que esse pensamento é machista, reduz a figura da mulher só à dimensão do sentimentalismo, eu digo: Calma! Leia primeiro a obra toda, aí você tira suas conclusões. Esse trecho escolhi de proposito, só para demonstrar e provar minha tese das “provocações”. Quando comprares a obra e lê-la, verás o quanto de aproprio ao contexto, o fragmento está encaixado, tal qual peça de quebra-cabeças.
         Num emaranhado de revira voltas, e num jogo de vai e vem, as personagens, a partir da personagem central do livro, deseja ter uma casamento feliz com um noivo que ela acredita que vem deixando ao longo de sua vida, pistas de quanto a ama, porém esse noivo, ela não conhece pessoalmente, o que não a impedimento que mobilize todo um aparato de um grande evento de casamento, convidando parentes e amigos, e indo para a igreja vestida de noiva, mas o casamento nunca ocorre, uma vez que o noivo não comparece para tal cerimônia. Todas as pessoas acreditam que a jovem sofre de algum distúrbio mental, que a faz marcar sucessivas cerimônias de casamento com um noivo fantasma, mas é nos muitos diálogos, que vamos encontrar dentro do livro, que nossa protagonista tem com um amigo que revela parte desse segredo. Nossa! Quase entrego o desfecho da obra! Mas, como não é minha intenção, só digo uma coisa, também vemos na obra uma brincadeira com o número 14, que aparece como um revelador místico, cabalístico, pois a combinação de números que juntos dão 14, pode ensinar algo sobre nós e o próprio universo, isso para as ideias da personagem.
         Bem, quando o livro termina, quando a história dos personagens tem sua apoteose, Alice Carvalho brinda-nos com um capítulo extra, que está a mostra e escondido, digamos, ao mesmo tempo, dentro da obra. Nesse capítulo, acreditem, tem uma história revolucionaria sobre Pierrot e Colombina, que não darei detalhes. A meu ver, só poderia ter nascido de alguém como Alice Carvalho, que no meu entender, ama provocar os pensamentos. Então, vai procurar o livro, leia-o e depois me diz...



Poeta, professor historiador, Cientista das Religiões, 1º Secretário da SPVA/RN e autor do livro Entre a Sombra da Razão e a Razão da Sombra.


REFERÊNCIA
CARVALHO. Alice. Do Amor e algumas crônicas, mas não estão todas aqui no subtítulo senão o subtítuo ficaria enorme e cafona. Jobens Escribas, Natal-RN, 2015.